Quando tudo está muito complicado, estico minhas pernas, olhos para os meus pés calçados com um All Star surrado e penso "CERTEZA É O CHÃO DE UM IMÓVEL. PREFIRO AS PERNAS QUE ME MOVIMENTAM" (N. REIS)

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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Permissão para um passeio II - O retorno

Por Mari Monteiro
Tardou. Pareceu uma eternidade. A sensação física não era pior que a espiritual. No meu peito, obviamente, um vazio. Engraçado (apenas ligeiramente engraçado), é que este vazio era maior que o espaço ocupado pelo meu coração. A ausência do som costumeiro feito por ele, num velho ritmo conhecido, era ensurdecedora, irritante até. Mas isso tudo era, digamos, suportável, talvez pela previsibilidade da física e da biologia.

Mas, confesso, a ausência espiritual foi algo quase insuportável. Digo “quase”, porque, caso ele se demorasse mais alguns segundos, eu não estaria mais à sua espera. Teria descumprido a promessa. O fato de conhecer sua ausência física agravou o vazio espiritual e potencializou todas as demais preocupações. Sim. Preocupei-me com as aventuras dele fora do meu corpo. Pensava coisas descabidas (ou não!) como: “estaria ele sentindo frio?”; “Sofrido algum arranhão”; “Encontrou-se com outros corações a vagar por aí e esqueceu o caminho de volta?” Sabe como é.  Estamos falando do MEU coração, portanto...

O que mais atordoava meus pensamentos era a expectativa acerca dos pedidos que havia feito a ele (aqueles sobre voltar “leve”, carregando apensa o que valesse a pena). Pensava na possibilidade de ele voltar mais pesado ainda ou, pior, tão leve e vazio que estranhasse o espaço que deixara em meu corpo. Por vezes seguidas perdi o sono, perdi a fome, perdi as lágrimas e o riso.

Apesar de ciente de que esta era uma experiência, acima de tudo, atemporal, na minha pele e na minha mente, ele estava fora há décadas. O que consistia mais um motivo para que ele voltasse diferente, preferencial e ousadamente do jeito que havia lhe sugerido. Mas, há um pequeno detalhe: a vontade própria do meu coração que, até então, não conhecia.

Num dado momento, quando já não suportava mais minha respiração artificial, sem profundidade, deitada de costas n aminha cama, sinto algo sobrepor-se ao meu peito como que rasgando a pele, rompendo músculos, quebrando ossos e remexendo tudo dentro de mim para acomodar-se. Ele estava de volta. E, do modo como retornou, deveríamos, no mínimo, ter um dedo de prosa (como diria minha avozinha).

Certamente, um tanto desconfortável com uma dor suave que se espalhava pelo meu corpo inteiro eu decidi iniciar a conversa. Sabia. Deveria ser direta. Tinha pressa em saber de tudo e, mais, em me livrar da angústia de conjecturar como seriam meus sentimentos de agora em diante. Primeira fala:

 - Por que chegou assim, de surpresa?
- Não me disse que precisaria de permissão para retornar.
- É. Não disse.
- Além disso, já havia feito muito mais do que me pedira que fizesse.

Este “muito mais” causou uma pontada gélida no meu umbigo. (Um-bi-go... não sinto frio no estômago como todos, mas no umbigo..., mas isso é uma outra história). Continuei o que mais parecia um interrogatório. Mas eu não queria interrogar meu coração, queria conversar com ele. Assim, decidi ser mais branda e ouvir mais do que falar.

- Pois, bem meu saudoso e amado coração, me conte tudo que viu, sentiu e ouviu.
- Primeiro, senti muito frio fora do seu peito. Não sabia o que era sentir frio. Depois, senti muita solidão, também não sabia o que era isso. A luz lá de fora quase me cegou, pois até então, só enverguei através dos seus olhos e você sempre os protegeu da luz muito forte. Para tentar entender o que estava acontecendo comigo, tracei uma estratégia de sobrevivência sem você. Aproximei-me de outros corações. Cada novo instante me apegava a um coração diferente. Às vezes, mais velho que eu, ou mais jovem, mais ou menos feliz que eu, mais ou menos apaixonado.

- Isso deve ter sido incrível pra você. Imagino que você, depois desta “longa” aventura, tenha se tornado um coração mais sábio e, conseqüentemente, tenha sido capaz de fazer tudo que lhe pedi.

- Não se engane minha querida. Estou mais sábio, sem dúvida, mas nem por isso mais capaz de atender seus pedidos.
- Como não?
- Descobri que, um coração não é tão diferente do outro assim. O que mudam são as prioridades de cada um. E, quanto a isso, você, que é meu “abrigo” e seu espírito tem uma grande parcela de responsabilidade. São vocês quem decidem o que ocupa maior espaço em nós.

- Não concordo. Muitas coisas que sinto – como as dores de amores, por exemplo – não foram escolhidas. Ninguém em sã consciência deseja sofrer de amor, deseja perder um ente querido ou padecer da dor da saudade.

- É justamente a ordem e os espaços que você estabelece para os sentimentos e para as pessoas aqui dentro que desencadeiam todas as lágrimas... Ou todos os risos. Conheci corações, cujas prioridades são as coisas. São corações embrutecidos, não tem muitos amigos e moram num corpo que não sorri, possui uma fisionomia sombria e carrancuda, acha que todos o perseguem e desconfiam de toda e de qualquer aproximação. Outros corações reservaram amplo espaço para a generosidade, para o amor incondicional, para a tolerância. Estes são os mais felizes. Habitam corpos sorridentes e luminosos, corpos que também choram, mas o choro justo e não medíocre ou oportuno de muitos. Estão sempre rodeados de amigos. Amigos VER-DA-DEI-ROS. Conheci também um terceiro tipo de coração, o qual considerei mais pernicioso que o primeiro: o coração indiferente. Nele há espaço para tudo e para nada. Entra e sai quem quer. Nada ali cria raízes ou deixa suas marcas boas ou ruins. Tudo nele é superficial: a cor é um vermelho descorado, não bate com força, não quer companhia. Ele não está, de verdade, habitando aquele corpo e aquela alma. Tive medo deste coração. Afastei-me logo dele.
- Isso é triste. Dói.
- Mas, enfim, quanto ao que combinamos quando parti, como disse, não depende de mim a leveza ou o peso que sente no seu peito, escolher a quem amar mais ou aquém querer menos. Porém, sinto – me feliz em retornar para teu peito.

Nesse momento, senti um aperto diferente no peito. Não era aquele aperto de angústia. Era um aperto que mais parecia um abraço. Meu coração me abraçava. E pude experimentar uma sensação ímpar de gratidão e de afeto tão fortes que não parecem deste mundo. Por fim, ele disse.

- Eis me aqui de volta. Também tenho livre arbítrio e decidi voltar para você, para seu corpo que me abriga e para seu espírito que me acolhe. Aqui sempre coube um pouco de tudo que encontrei de bom “lá fora”: generosidade, amor incondicional, paixão (embora muitas vezes, você quebre a cara, mas mostra sua ousadia), um tanto de tolerância, quase nada de ganância (o que pode até ser ruim dependendo do ponto de vista, se bem que, no momento final, seremos apenas “nós”... nada material estará conosco...). Ah!!! Estava me esquecendo. Voltei, principalmente, porque aqui ainda há espaço de sobra pra você acomodar muitos outros sentimentos e pessoas... Quanto a mim, posso prometer ajudá-la. Serei seu guardião. Sempre que alguma mágoa quiser se alojar aqui dentro, tratarei de expulsá-la. O rancor, o desamor, o egoísmo e todos os sentimentos que minam “nossa casa terrena” e que impedem que perdoemos que amemos desinteressadamente e que vivamos plenamente não encontrarão moradia aqui... E olha que não será tarefa fácil. Mas, aprendi a te amar e farei isso por NÓS!

- De minha parte, também farei uma promessa. Manterei meu corpo em festa. Assim como havia prometido quando você partiu. Com muitas cores  e muito brilho no olhar. Pedirei o mesmo ao meu espírito. Sei das dificuldades de cumprir tal promessa, mas é aí que reside o desafio. Você voltou por amor a mim. E farei isso por amor a todos aqueles que se aproximarem. Creio que estaremos bem assim... Não acha?
- Só mais um pedido... Posso?
- Todos!
- Não me peça mais para deixar teu corpo, apenas cuide de mim, do seu espírito e, aí sim, estaremos bem!

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Por Mari Monteiro

QUE GRATA SURPRESA... ENCONTREI CASUALMENTE UM DOS MEUS TEXTOS PREFERIDOS DO CAIO. QUE DELÍCIA REVISITÁ-LO HOJE!!! 

Olha, eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe, mas queria te dizer pra não parar de remar, porque te ver remando me dá vontade de não querer parar também.
Tá me entendendo?

Eu sei que sim. Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou. Faz tempo que quero ingressar nessa viagem, mas pra isso preciso saber se você vai também. Porque sozinha, não vou. Não tem como remar sozinha, eu ficaria girando em torno de mim mesma. Mas olha, eu só entro nesse barco se você prometer remar também! Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia. Mas você tem que prometer que vai remar também, com vontade! Eu começo a ler sobre política, futebol, ficção científica. Aprendo a pescar, se precisar. Mas você tem que remar também. Eu desisto fácil, você sabe. E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir. Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças! Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena.
Remar.
Re-amar.
Amar.

Caio Fernando de Abreu

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Permissão para um passeio (Parte I)

Por Mari Monteiro
Sabe aqueles dias em que o peito vai encolhendo desde cedo até a noite... Encolhendo até parecer não mais caber o que tem lá dentro? Então... passam das nove horas da noite e tá tudo muito apertado lá dentro. Decidi entrar pra tentar ver o que acontece... mas não há espaço por onde eu possa caminhar. Ele ficou mais apertado ainda enquanto lá estive. Saí. Do lado de fora do meu peito, procuro, mais precisamente, desde a noite passada, as causas de tal aperto... cheguei a comentar com uma pessoa ontem a noite: "Meu coração está apertado". 

Depois, pensei bem, senti bem... e essa expressão não tem muita razão de ser. Arriscando um prognóstico (um tanto aleatório às coisas das ciências, mas totalmente afim às coisas do espírito), o coração não está apertado, ele está "solto demais", tanto que não cabe no peito... Daí o tal do aperto, como um cômodo  em que você vai colocando coisas e mais coisas... Eis meu coração sem lugar. Ele quer sair e voar... subir até o céu e respirar. Sei que depois ele volta. Já dei permissão e nem marquei a hora da volta, contanto que ele regresse melhor. Fiz apenas um pedido a ele: que volte pro meu peito (que a propósito, fica no meu corpo, portanto somos cúmplices... e isso é, sim, uma chantagem...) trazendo apenas aquilo de que realmente  prescinde.  Pedi que deixe por onde passar toda opressão,  os nomes e os rostos que ainda teima em lembrar, mas que há tampos nos esqueceram..., todo medo, dores, dissabores e o que mais ele julgar prejudicial para nossa reconciliação. Sim. Ao meu coração dei livre arbítrio. Em contrapartida, prometi a ele uma festa para seu regresso: um corpo com mais cores, com mais leveza, com mais segurança e mais espaço para todos os outros sentimentos e novidades que virão.

Enfim, continuo aqui, esperando que ele ouça meu pedido. Sei que o convenci de que esse passeio será bom para nós dois. mas sinto também que ele tem medo de me deixar, afinal ele nunca foi tão livre e nunca nos separamos (nem por um segundo!!! rsrs)  

Confesso, também sentirei falta dele... mas será um passeio fugaz, como alguém que vai à tona para respirar e retorna para novas buscas no fundo do mar. Além disso, nós dois sabemos a causa desta "expansão" toda, ambos somos culpados: deixamos entrar muita coisa pelo simples fato de não estabelecermos critérios. Mas, esta é uma outra conversa que teremos após o passeio. Até lá, fico aqui à mercê do resultado do passeio do meu coração e do seu regresso breve e leve pro meu peito que anseia por espaço pra acomodar todas as descobertas felizes que tenho pra fazer.  Quanto ao que virá depois, prometo contar o desfecho na parte II. Juro! juro! E de dedinhos separados.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

TUDO DIFERENTE (by Maria Gadú)

Todos caminhos trilham pra a gente se ver Todas trilhas caminham pra gente se achar, viu?
Eu ligo no sentido de meia verdade
Metade inteira chora de felicidade

A qualquer distância o outro te alcança
Erudito som de batidão
Dia e noite céu de pé no chão
O detalhe que o coração atenta

Todos caminhos trilham pra a gente se ver
Todas trilhas caminham pra gente se achar, né?
Eu ligo no sentido de meia verdade
Metade inteira chora de felicidade

A qualquer distância o outro te alcança
Erudito som de batidão
Dia e noite céu de pé no chão
O detalhe que o coração atenta


A qualquer distância o outro te alcança
Erudito som de batidão
Dia e noite céu de pé no chão
O detalhe que o coração atenta

Você passa, eu paro
Você faz, eu falo
Mas a gente no quarto sente o gosto bom que o oposto tem
Não sei, mas sinto, uma força que embala tudo
Falo por ouvir o mundo, tudo diferente de um jeito bate

Todos caminhos trilham pra a gente se ver
Todas trilhas caminham pra gente se achar, viu?
Eu ligo no sentido de meia verdade
Metade inteira chora de felicidade

A qualquer distância o outro te alcança
Erudito som de batidão
Dia e noite céu de pé no chão
O detalhe que o coração atenta

quinta-feira, 30 de junho de 2011

E se???

Por Mari Monteiro
Às vezes,  penso que vivemos breve demais, correndo demais... vivendo de menos!


Por que não nos demoramos nos olhares dos outros quando falamos? 


Por que não pensamos mais sobre o que ouvimos? E sobre o que falamos? 
Por que não ouvimos o som da nossa própria voz?Certamente, gritaríamos menos, falaríamos palavras menos ásperas e mais pausada e serenamente.

Penso também no último instante de cada um de nós. Como fazê-lo perdurar o bastante para um derradeiro olhar nos olhos de quem amamos? Impossível, creio.
Inevitável, assim, pensar que precisamos URGENTEMENTE viver com MENOS URGÊNCIA e com mais, muito mais PROFUNDIDADE.
Tarde pra isso? Se ainda escrevo, e você ainda lê, não é tarde... ainda não!

P.s. Escrito numa tarde em que tive oportunidade de observar o meu (e o nosso) comportamento alucinado diante de uma rotina robotizada de trabalho e de nenhum resultado concreto o bastante para ter valido a pena... à  exceção da oportunidade de refletir e de escrever o texto acima e DESEJAR mudar, desacelerar... me (RE) HUMANIZAR, enquanto ainda posso.

terça-feira, 28 de junho de 2011

A BORBOLETA

Pra compartilhar...


"Um dia, uma pequena abertura apareceu num  CASULO. Um homem sentou e observou a borboleta por várias horas, enquanto ela se  esforçava para fazer com que seu corpo passasse através daquele pequeno buraco.

De repente, pareceu que ela havia parado de fazer qualquer progresso.

Pareceu que ela tinha ido o mais longe que podia.

Nesse momento, o homem decidiu ajudá-la: pegou uma tesoura  e cortou o restante do casulo do qual saiu facilmente.

Mas seu corpo estava murcho, era pequeno e suas asas estavam muito amassadas.

O homem continuou a observá-la, pois esperava que, a qualquer momento, as asas abrissem e esticassem para  suportar o corpo que iria se firmar a tempo.

Nada disso aconteceu! Na verdade,  a borboleta passou o resto da  vida rastejando num corpo murcho e com asas atrofiadas. Por isso, nunca foi capaz de voar.

O que o homem, em sua gentileza, não compreendia era que o casulo apertado e o esforço necessário à borboleta para passar através da pequena abertura era o modo como Deus fazia com que o fluido do corpo fosse para as asas, de forma que ela estaria pronta para voar uma vez que estivesse livre do casulo."
por muitas vezes, o esforço é, exatamente, o que precisamos em nossa vida. Se Deus nos permitisse passar por nossas vidas sem quaisquer obstáculos, Ele nos deixaria aleijados. Não iríamos ser tão fortes como poderíamos ter sido... nunca chegaríamos a "voar"...

(Texto extraído do jornal "O ESTADO DE SÃO PAULO" em 1º/12/2000 - Profª Elizabeth Prado)

segunda-feira, 20 de junho de 2011

ABOMINAÇÃO

Por Mari Monteiro
Por vezes, tenho uma dificuldade imensa em encontrar definições curtas para sentimentos intensos. Mas, por ora, o termo "ABOMINAÇÃO" me parece razoável. Abomino muitas coisas. Se até uns dias atrás alguém  perguntasse: "O que você mais abomina no ser humano?" Talvez hesitaria, ficasse alguns segundos pensando numa resposta abrangente ou daria múltiplas respostas. Porém, HOJE, não hesito mais. Definitivamente, o que menos aprecio no ser humano é a "capacidade" (que achamos que temos) de JULGAR o outro; mais exatamente, de pré-julgar, julgar e condenar. Isso, quase sempre, feito à revelia, sem a análise da história que antecede um ato, um fato ou uma fala... O julgamento é feito com base em ínfimos recortes de uma existência inteira. Temos a infelicidade de esquecer (como disse Renato Russo) que "Todos tem suas próprias razões".  Não é à toa que tanto admiro (e cito sempre) a frase de Shakespeare: "Herege não é aquele que arde na fogueira, mas sim quem a acende." Não afirmo que seja fácil viver sem julgar, estamos por demais "contaminados" pelos vícios humanos... Mas, na medida do "impossível", tento viver de modo a não julgar e, consequentemente, a não condenar as pessoas... O que não me isenta de ser duramente julgada e condenada. Contudo, uma vez sabedores do quanto julgar é algo pernicioso, passamos a nos limitar a enfrentar os julgamentos (no sentido de ouvir a "sentença" dos falsos juízes , sentir uma dor profunda (porque isso dói!!! de verdade!), nos recolhermos no próprio casulo para curar as "feridas" e, depois, SERENAR e deixar que tudo mais seja revelado pelo tempo, pelas atitudes, (inclusive, dos próprios juízes) e dormir em paz. Hoje, muito provavelmente, farei isso ao som de "Metal contra as nuvens"...

"(...).Eu sou metal
Raio, relâmpago e trovão
Eu sou metal
Eu sou o ouro em seu brasão
Eu sou metal
Sabe-me o sopro do dragão

Reconheço meu pesar
Quando tudo é traição
O que venho encontrar
É a virtude em outras mãos.

Minha terra é a terra que é minha
E sempre será
Minha terra
Tem a lua, tem estrelas
E sempre terá."  





http://www.vagalume.com.br/legiao-urbana/metal-contra-as-nuvens.html#ixzz1PqTEkwsK

quarta-feira, 8 de junho de 2011

AOS MEUS AMIGOS REAIS, IMAGINÁRIOS, ANJOS...

Por Mari Monteiro


Costumo contar aos meus alunos a história das "pessoas - lixa" para ilustrar as relações humanas, sobretudo, as relações conturbadas, permeadas de desrespeito, de agressividade (verbal, moral... e afins). Especificamente, neste momento da minha vida, sinto-me cercada por "lixas". Mas, desta vez, não são "meras lixas de parede"; são piores, mais perversas, porque julgam. E o julgamento (mais precisamente os pré-julgamentos, mesmo porque as "pessoas-lixas" sempre julgam sem conhecer a verdade) é uma das mais cruéis ações humanas. Para entender melhor isso, leiam "As maçãs do Sr. Pie Body", a versão de uma lenda indiana escrita por Madonna para o Mundo Ocidental. Retornando às  "lixas" que me cercam, não posso deixar de enxergar o lado bom de tudo isso (afinal, sou otimista por natureza, "mas que beleza!"rsrsrs) e agradecê-las. pois quando tudo isso terminar, cá estarei euzinha, mais macia e dócil do que sempre fui. Enquanto as lixas, ( pobres coitadas!), estarão velhas, rotas e desgastadas pelo atrito com meu corpo. E, então, meus amigos... tenham paciência, esperem que eu "deixe meu casulo" e lhes mostrarei minhas cores e minha gratidão estampadas no brilho dos meus olhos e expressas num abraço firme e suave.


Bjus de luz!!!

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Por Mari Monteiro
Em tempos nos quais o que impera é o poder e a INSENSIBILIDADE, nossa alma prescinde de alimentos: bons livros, boa música, bons (e verdadeiros) amigos, lágrimas verdadeiras, um amor "pra recomeçar" a cada novo segundo (porque o amor também tem fome!), conversas ao pé do ouvido, segredos revelados numa tarde sem hora pra o sol se pôr... E por aí vai. Minha alma está tão faminta que minha lista não tem fim!!! rsrrs Bjus

"(...) Como um gatilho sem disparar

Você invade mais um lugar
Onde eu não vou
O que você está fazendo?


Milhões de vasos sem nenhuma flor
O que você está fazendo?
Um relicário imenso deste amor
Corre a lua porque longe vai?
Sobe o dia tão vertical


O horizonte anuncia com o seu vitral
Que eu trocaria a eternidade por esta noite
Porque está amanhecendo?
Peço o contrario, ver o sol se por
Porque está amanhecendo?


Se não vou beijar seus lábios quando você se for
Quem nesse mundo faz o que há durar
Pura semente dura: o futuro amor
Eu sou a chuva pra você secar
Pelo zunido das suas asas você me falou (...)"

By Nando Reis...






domingo, 22 de maio de 2011

ACRILIC ON CANVAS - By Renato Russo


É saudade, então
E mais uma vez
De você fiz o desenho mais perfeito que se fez
Os traços copiei do que não aconteceu
As cores que escolhi entre as tintas que inventei
Misturei com a promessa que nós dois nunca fizemos
De um dia sermos três
Trabalhei você em luz e sombra
E era sempre: "Não foi por mal"


Eu juro que nunca quis deixar você tão triste
Sempre as mesmas desculpas
E desculpas nem sempre são sinceras
Quase nunca são
Preparei a minha tela
Com pedaços de lençóis que não chegamos a sujar
A armação fiz com madeira


Da janela do teu quarto
Do portão da sua casa
Fiz paleta e cavalete
E com as lágrimas que não brincaram com você
Destilei óleo de linhaça
E da sua cama arranquei pedaços
Que talhei em estiletes de tamanhos diferentes
E fiz, então, pincéis com seus cabelos
Fiz carvão do baton que roubei de você
E com ele marquei dois pontos de fuga
E rabisquei meu horizonte
E era sempre: "Não foi por mal"


Eu juro que não foi por mal
Eu não queria machucar você
Prometo que isso nunca vai acontecer mais uma vez
E era sempre, sempre o mesmo novamente
A mesma traição
Às vezes é difícil esquecer:


"Sinto muito, ela não mora mais aqui"


Mas então, por que eu finjo
Que acredito no que invento?
Nada disso aconteceu assim
Não foi desse jeito
Ninguém sofreu


E é só você que me provoca essa saudade vazia
Tentando pintar essas flores com o nome
De "amor-perfeito"
E "não-te-esqueças-de-mim"


http://www.legiaourbana.com.br/

domingo, 15 de maio de 2011

NEBLINA...

Por Mari Monteiro
"Hoje  a tristeza não é passageira. Hoje fiquei com febre a tarde inteira." Levei muito tempo pra entender (ou, ao menos, pra sentir) o peso deste verso de Renato Russo. Hoje eu sei, sinto, compreendo. Pra quem conhece a letra inteira, será mais fácil entender o que sinto agora. Hoje, por mais que todos queiram, por mais que EU queira, a tristeza não passa. Ao contrário, torna-se mais densa ao anoitecer. É como se uma neblina espessa tomasse conta do meu peito. Não. Não é amor que me falta. A propósito, ele sobra dentro de mim. É o espaço pra dor que já é pequeno e estreito. Sei que não morrerei "disso"... Mas, sei que os cortes abertos sangram e, mesmo quando estancado o sangue, latejarão como quem diz: "Eis me aqui."

Por outro lado, estou leve. Meu corpo e alma dançariam a noite toda. Minha consciência levita sem culpa. Como num metáfora que ouvi há tempos, meu corpo tornou-se macio e dócil diante do constante convívio com a aspereza das "lixas" que o destino me reservou... Usei-as para suavizar minha pele, para aparar minhas arestas... Fiz de cada encontro com uma "lixa" um momento de renovação. E, feito um animal que troca de pele, mudei de cor, de textura e de sabor. De amarga, tornei-me levemente adocicada. E, por isso, não me importa que a tristeza fique em mim por mais tempo, não a transformarei em amargura. Ela é apenas mais uma oportunidade pra me "fazer melhor"... Amanhã, quando  acordar, estarei ainda mais suave, mais educada e meiga. Meu sorriso será mais largo e sincero. Pois a leveza que trago na alma é infinitamente maior que esta   densa neblina que, entranhada em meu quarto, esfria meu corpo inteiro. Amanhã estarei Sol, luz e calor... ainda que a chuva fria encharque minha roupa e meus cabelos, o meu jeito de pensar (leve e iluminado) manterá minha alma aquecida. Para que isso aconteça, apenas uma presença é indispensável: o amor próprio que conduz à FÉ.

Bjus
Sunday night, 15/05/2011

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

QUEM CONTA UM CONTO AUMENTA UM PONTO....

OLÁ, PESSOAL...
Primeiro quero registrar aqui que fiquei mega feliz com o convite da Prô Mari para compartilhar os escritos de vocês, alunos do LV.
Acredito que ao contrário do que dizem, a net vai permitir que fiquemos mais próximos. Tenho a certeza de que juntos poderemos criar coisas maravilhosas...Que este espaço seja para compartilharmos nossas ideias, nossos sonhos e desejos. Sem sonhos, ninguém vive....

Bjs e sucesso para todos nós...
Um abraço
Lili

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

PEDIDOS AO MEU ANJO DA GUARDA...

Por Mari Monteiro
Que tipo de agasalho aqueceria agora minha alma?
Onde está você?
FIQUE comigo...
SUSSURRE aos meus ouvidos palavras de ordem.
SOPRE minhas feridas com o bater de suas asas.
LEVANTE meu corpo com seus braços fortes.
TRAGA até mim o que não consigo apenas com meus esforços.
UNA-se a mim rumo ao que julgar mais acertado.
DIVIDA  comigo a sua luz...
E, então, poderá ver e sentir minhas forças...
Estarei pronta para ver todos os seus sinais e para seguir meus instintos ...

FIQUE comigo... pois, ficar sem você é como morrer muitas vezes antes do final.

É não dormir apesar do cansaço... e ter pesadelos no lugar dos sonhos...

É ter uma vontade intermitente de fugir para LONGE DO MEU LUGAR...

Por isso, meu anjo, FIQUE... fique comigo!

MEU RETRATO DE VOCÊ (POEMA)

Por Mari Monteiro
Saio e entro em mim para te ver no meu corpo
Para ver se, de longe,
Deste retrato antigo
Você ouve o chamado de cada um dos meus póros
Na minha pele, impressões róseas
Suas digitais, em mim, ainda ardem
Nas minhas mãos, suas veias pulsam
Num desejo intravenoso
Meus cabelos, desalinhados ,
Guardam o caminho feito por suas mãos
Na minha boca, seu gosto
Que agora é meu
Ainda olho para o retrato
Este retrato antigo
De tanto olhar
Ficou um tanto de você na minha íris
Um caleidoscópio indecifrável
Neste retrato antigo
Que é bem mais seu do que meu.

ANOITECE EM MIM...

Por Mari Monteiro
Mais uma noite de chuva. Porém, hoje está diferente, mais escuro e mais triste.


Caminho, a passos lentos, de volta pra casa. Tudo está estranho, realidade distorcida. Apenas o vento me é familiar.


Antevejo mais uma noite de silêncio e de pensamentos inquietos, que rondam em busca de respostas lógicas e só o que tenho são frágeis conjecturas.


Penso em fazer uma oração para extirpar o medo!


Peço que esta noite revele toda a magia que o dia escondeu, que meu sono seja marcado por sonhos bons, para que eu possa evocá-los a qualquer tempo. Sonhos que, no abstrato onírico, me apontem uma realidade amena e não muito distante. Que tragam alguém capaz de reconhecer cada pequeno gesto de afeto e cada olhar que anseia por companhia.


Para além desta noite escura, que nossas almas se juntem, trazendo para os corpos sensações de descanso e conforto. Que pela manhã nossos corpos possam, ainda, sentir o calor dos abraços entrelaçados, passados.


Além desta noite escura, tudo é luz. Carregamos em nós o tremor do prazer de termos estado juntos. Nossos olhares transbordam contentamento e paz de espírito. Abrigamos outros olhares e, a despeito do tempo e da distância, estamos bem assim... aqui!



(Texto originalmente escrito por mim em 17 de fevereiro de 1997 e revisitado em 09/07/2009)

domingo, 2 de janeiro de 2011

Show DVD Maria Gadu e Leandro Leo - Laranja - Credicard Hall - Neto Lemos


POESIA E BOA MÚSICA.... ALIMENTOS PRA ALMA!!!!

maria gadu dona cila ao vivo dvd multishow 2010 mircmirc

Conto sempre aos meus amigos mais próximos que , quando menina, tive o privilégio de ter uma familia adotiva. Uma família de negros. Os pais de sete filhos maravilhosos, meus irmãos de alma, eram o Senhor Vicente e a Dona Lindoca (isso mesmo, nome de registro: Lindoca Maria de Souza!!!) Pessoas lindas que me ensinaram tudo que sei sobre os VALORES MAIS NOBRES que um ser humano pode aprender: o ato de compartilhar, a união, a afetividade, o amor pela dança e pela música, o bom humor, mesmo nos momentos mais difíceis, o amor e o respeito que nutre as relações eternas!!! Este clipe e esta letra lembram minha infância ao lado destes ANJOS DE DEUS!!!! AMO VCS!!!

Eu Vou Estar - Videoclipe Oficial - Capital Inicial


Este clipe me faz pensar em como tudo fica presente em nossas vidas... 
independentemente da nossa vontade...

sábado, 1 de janeiro de 2011

ANO NOVO... ALMA NOVA!

Por Mari Monteiro
Sempre que um ano termina fica em mim a sensação de que poderia (teria a obrigação) de ter sido melhor: eu e as circunstâncias todas que me cercaram. Além disso, tem algo que me assusta: uma sombra do que passou. O que é bom, porque vai me lembrar do que não quero mais repetir; o gosto amargo do que desagradou meu estômago, cérebro e espírito. Sobre tudo que foi bom, tenho medo de esquecer, de ir se apagando feito escrita antiga feita a grafite. Do que foi por demais bom, mas que acabou (simples assim: acabou!), sinto como se despertasse de um sonho no qual estava protegida, num quarto quente e seguro, não estava sozinha, estava bem acompanhada, havia com quem conversar e colo para adormecer. E, ao desperta deste sonho, vejo-me  neste mesmo quarto; porém sozinha, sem calor, sem colo e sem ombro. Penso: "Que bom que fui capaz de sonhar!". Levanto-me, enfrento mais um dia, sorrio mesmo para os hipócritas (não nos iludamos, nem todos são tão bons amigos assim) e, quando anoitece, faço questão de sonhar antes de dormir... Levarei muitos sonhos bons para 2011; sonharei outros ainda mais belos, mas, não me engano. Os pesadelos espreitarão e me assustarão. E eu, com minha fé e insistência que beiram a insensatez, os exorcizarei da minha vida; pois prefiro meus sonhos quentes e aconchegantes, ainda que sinta o frio do mármore a tocar meus pés ao acordar... eles renovam minha alma! 

Feliz 2011!
Feliz alma nova!

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♥♥♥ Ao meu paizinho amado ♥♥♥

Trecho do filme: "Do outro lado da nobreza"

Trecho do filme: "Do outro lado da nobreza"
“Cuidaremos um do outro (...). No Reino do Mar há um vale onde são guardadas as coisas perdidas da terra: reinos perdidos; posses perdidas; horas perdidas e amores perdidos. As pessoas vão até lá procurando atos e dias perdidos e ficam surpresas por encontrarem um pouco de juízo perdido, simplesmente, porque nunca deram por falta dele.”