Por Mari Monteiro
"Hoje a tristeza não é passageira. Hoje fiquei com febre a tarde inteira." Levei muito tempo pra entender (ou, ao menos, pra sentir) o peso deste verso de Renato Russo. Hoje eu sei, sinto, compreendo. Pra quem conhece a letra inteira, será mais fácil entender o que sinto agora. Hoje, por mais que todos queiram, por mais que EU queira, a tristeza não passa. Ao contrário, torna-se mais densa ao anoitecer. É como se uma neblina espessa tomasse conta do meu peito. Não. Não é amor que me falta. A propósito, ele sobra dentro de mim. É o espaço pra dor que já é pequeno e estreito. Sei que não morrerei "disso"... Mas, sei que os cortes abertos sangram e, mesmo quando estancado o sangue, latejarão como quem diz: "Eis me aqui."
Por outro lado, estou leve. Meu corpo e alma dançariam a noite toda. Minha consciência levita sem culpa. Como num metáfora que ouvi há tempos, meu corpo tornou-se macio e dócil diante do constante convívio com a aspereza das "lixas" que o destino me reservou... Usei-as para suavizar minha pele, para aparar minhas arestas... Fiz de cada encontro com uma "lixa" um momento de renovação. E, feito um animal que troca de pele, mudei de cor, de textura e de sabor. De amarga, tornei-me levemente adocicada. E, por isso, não me importa que a tristeza fique em mim por mais tempo, não a transformarei em amargura. Ela é apenas mais uma oportunidade pra me "fazer melhor"... Amanhã, quando acordar, estarei ainda mais suave, mais educada e meiga. Meu sorriso será mais largo e sincero. Pois a leveza que trago na alma é infinitamente maior que esta densa neblina que, entranhada em meu quarto, esfria meu corpo inteiro. Amanhã estarei Sol, luz e calor... ainda que a chuva fria encharque minha roupa e meus cabelos, o meu jeito de pensar (leve e iluminado) manterá minha alma aquecida. Para que isso aconteça, apenas uma presença é indispensável: o amor próprio que conduz à FÉ.
Sunday night, 15/05/2011
