Quando tudo está muito complicado, estico minhas pernas, olhos para os meus pés calçados com um All Star surrado e penso "CERTEZA É O CHÃO DE UM IMÓVEL. PREFIRO AS PERNAS QUE ME MOVIMENTAM" (N. REIS)

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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Permissão para um passeio (Parte I)

Por Mari Monteiro
Sabe aqueles dias em que o peito vai encolhendo desde cedo até a noite... Encolhendo até parecer não mais caber o que tem lá dentro? Então... passam das nove horas da noite e tá tudo muito apertado lá dentro. Decidi entrar pra tentar ver o que acontece... mas não há espaço por onde eu possa caminhar. Ele ficou mais apertado ainda enquanto lá estive. Saí. Do lado de fora do meu peito, procuro, mais precisamente, desde a noite passada, as causas de tal aperto... cheguei a comentar com uma pessoa ontem a noite: "Meu coração está apertado". 

Depois, pensei bem, senti bem... e essa expressão não tem muita razão de ser. Arriscando um prognóstico (um tanto aleatório às coisas das ciências, mas totalmente afim às coisas do espírito), o coração não está apertado, ele está "solto demais", tanto que não cabe no peito... Daí o tal do aperto, como um cômodo  em que você vai colocando coisas e mais coisas... Eis meu coração sem lugar. Ele quer sair e voar... subir até o céu e respirar. Sei que depois ele volta. Já dei permissão e nem marquei a hora da volta, contanto que ele regresse melhor. Fiz apenas um pedido a ele: que volte pro meu peito (que a propósito, fica no meu corpo, portanto somos cúmplices... e isso é, sim, uma chantagem...) trazendo apenas aquilo de que realmente  prescinde.  Pedi que deixe por onde passar toda opressão,  os nomes e os rostos que ainda teima em lembrar, mas que há tampos nos esqueceram..., todo medo, dores, dissabores e o que mais ele julgar prejudicial para nossa reconciliação. Sim. Ao meu coração dei livre arbítrio. Em contrapartida, prometi a ele uma festa para seu regresso: um corpo com mais cores, com mais leveza, com mais segurança e mais espaço para todos os outros sentimentos e novidades que virão.

Enfim, continuo aqui, esperando que ele ouça meu pedido. Sei que o convenci de que esse passeio será bom para nós dois. mas sinto também que ele tem medo de me deixar, afinal ele nunca foi tão livre e nunca nos separamos (nem por um segundo!!! rsrs)  

Confesso, também sentirei falta dele... mas será um passeio fugaz, como alguém que vai à tona para respirar e retorna para novas buscas no fundo do mar. Além disso, nós dois sabemos a causa desta "expansão" toda, ambos somos culpados: deixamos entrar muita coisa pelo simples fato de não estabelecermos critérios. Mas, esta é uma outra conversa que teremos após o passeio. Até lá, fico aqui à mercê do resultado do passeio do meu coração e do seu regresso breve e leve pro meu peito que anseia por espaço pra acomodar todas as descobertas felizes que tenho pra fazer.  Quanto ao que virá depois, prometo contar o desfecho na parte II. Juro! juro! E de dedinhos separados.

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♥♥♥ Ao meu paizinho amado ♥♥♥

Trecho do filme: "Do outro lado da nobreza"

Trecho do filme: "Do outro lado da nobreza"
“Cuidaremos um do outro (...). No Reino do Mar há um vale onde são guardadas as coisas perdidas da terra: reinos perdidos; posses perdidas; horas perdidas e amores perdidos. As pessoas vão até lá procurando atos e dias perdidos e ficam surpresas por encontrarem um pouco de juízo perdido, simplesmente, porque nunca deram por falta dele.”