Por Mari
Monteiro
QUE GRATA SURPRESA... ENCONTREI
CASUALMENTE UM DOS MEUS TEXTOS PREFERIDOS DO CAIO. QUE DELÍCIA REVISITÁ-LO
HOJE!!!
Olha,
eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe, mas queria te dizer
pra não parar de remar, porque te ver remando me dá vontade de não querer parar
também.
Tá me
entendendo?
Eu sei
que sim. Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só
dizer e eu vou. Faz tempo que quero ingressar nessa viagem, mas pra isso
preciso saber se você vai também. Porque sozinha, não vou. Não tem como remar
sozinha, eu ficaria girando em torno de mim mesma. Mas olha, eu só entro nesse
barco se você prometer remar também! Eu abandono tudo, história, passado,
cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou
todo dia pra academia. Mas você tem que prometer que vai remar também, com
vontade! Eu começo a ler sobre política, futebol, ficção científica. Aprendo a
pescar, se precisar. Mas você tem que remar também. Eu desisto fácil, você sabe.
E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse
barco, é só me pedir. Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te
ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se
esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar
junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas
você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar
enquanto for preciso, enquanto tiver forças! Você tem que me prometer que essa
viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por
nós vale a pena.
Remar.
Re-amar.
Amar.
Remar.
Re-amar.
Amar.
