Não sou uma pessoa tolerante à dor. Talvez quisesse ser. Já tentei. Mas, biologicamente, algo me impede de tolerar a dor física. Involuntariamente, fico pálida e vomito sem parar até ser medicada.Confesso que , neste momento, estou tentando uma nova postura: escrever sobre a dor... e COM DORES. Olho-me no espelho e que vejo, sem exageros, é uma cópias em preto e branco do que sou. O espelho não mente e nem os meus olhos. Meu olhar empalidece junto com minha pele. Admiro as pessoas fortes. A minha mãezinha é meu MAIOR EXEMPLO. Nem saberia o que fazer se a visse sentindo uma dor mais forte. Tenho muito medo de presenciar isso. Me lembro de que sou assim desde a infância. O que deveria ser uma simples dor de cabeça, para mim era motivo de me trancar no quarto...escuro... Dizem que quando somos mães, nos tornamos mais fortes. Ainda não consegui esta proeza. Ao contrário, a cada vez que o Daniel adoecia, eu pedia a Deus que aquela dor fosse minha. E, como num encanto, um milagre mesmo, ele ia se aquietando. Quanto a mim. Não ficava impune a dor vinha e castigava. Mas me sentia feliz ,pois MEU FILHO DORMIA TRANQUILAMENTE.
Não quero que pensem, nem por um momento, que sinto-me diminuída por confessar minha aflição. Ao contrário, reuni muita coragem e ousadia para dividir esta confissão com meus amigos leitores...
Não quero que pensem, nem por um momento, que sinto-me diminuída por confessar minha aflição. Ao contrário, reuni muita coragem e ousadia para dividir esta confissão com meus amigos leitores...
A parte mais difícil disso tudo é enfrentar a desconfiança das pessoas. Aquele velho clichê: "Isto não é nada, já vai passar!". Mas, comigo é diferente. ELAS ENXERGAM A MINHA DOR NA MINHA FISIONOMIA E NA COR DA MINHA PELE. Gostaria muito de ter tempo para estudar sobre isso. Não devo ser a única. Quero mudar e me tornar mais forte. Sou forte em tantas outras situações, em tantos enfrentamentos, lutei e venci.
Enfim, devo confessar que a ideia de vir escrever para "disfarçar" ou minimizar a dor NÃO FUNCIONOU. Porém, algo em mim está mais leve. Deve ser o fato de ter podido COMPARTILHAR minha angústia. Mas, não desistirei... enfrentarei.... Não me envergonho da minha confissão. Pois, como diz um dos meus escritores favoritos: “Dói. Se me perguntarem o que acontece, só saberei responder isso: dói. Se me perguntarem onde é a dor, ainda assim só responderei: dói. Tudo tem a ver com aquele grito reprimido, aquele sonho escondido, aquele choro nem sempre contido: dói. Aquela vontade de cortar a garganta para não poder gritar. Aquela vontade de arrancar os olhos só pra não poder ver. Aquela vontade de esmagar o coração só para não poder sentir. Mesmo com todas essas coisas incapacitadas ainda assim doeria. Porque não está na garganta, nos olhos, no coração. Está em toda parte.”
Caio Fernando Abreu.

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