Quando tudo está muito complicado, estico minhas pernas, olhos para os meus pés calçados com um All Star surrado e penso "CERTEZA É O CHÃO DE UM IMÓVEL. PREFIRO AS PERNAS QUE ME MOVIMENTAM" (N. REIS)

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segunda-feira, 17 de junho de 2013

EU POR MIM MESMA

POR MARI MONTEIRO
Como qualquer mortal, às vezes, me encontro numa frase ou outra de algum autor renomado ou em trechos de música. Não vou negar. Sinto certa felicidade quando isso acontece. É uma sensação de não estar sozinha; de pensar: “Alguém mais pensa assim.” E isso é, no mínimo, confortável.  Mas, de uns tempos para cá venho sentindo uma necessidade inquietante de tentar me definir, neste momento, pois tenho consciências de que amanhã (ou no momento seguinte) serei diferente.  Mas a essência, ao menos isso, eu preciso conhecer em mim... E essa “parte” não muda assim tão facilmente. Então, vamos lá à árdua tarefa.

Essência: preciso esclarecer que entendo como essência aquilo que prevalece apesar dos impulsos, das quedas, das decepções, das dores e da alegria efusiva de um momento. É o que mora em mim. Deve ter nascido comigo e seguirá até o fim... Pois, creio que a essência é O PRESENTE DE DEUS quando viemos para este mundo. E quem olhar no fundo dos meus olhos a reconhecerá.

Sou TEIMOSA de nascença. Do contrário, não estaria aqui escrevendo. Teria sucumbido a tantas intempéries.

Sou dotada de grande quantidade de AMOR. Eu amo, amo, amo... E ele não tem fim. Amo todas as pessoas, de diferentes formas e intensidade, até que se prove o contrário. Quando se prova o contrário, se instala em mim um sentimento nada nobre: a indiferença.

Tenho facilidade para perdoar os erros das pessoas, mas não para esquecê-los. Quando leio que perdoar não é esquecer, sinto-me confortável... Porque acho meio ilógico você esquecer as dores, as ofensas... Porque sempre que olhos no espelho lá estão elas: as cicatrizes que tem dupla função: lembrar-me dos fatos e me dizer: “VOCÊ SOBREVIVEU E HOJE É MAIS FORTE!”.

Sinto MEDO de muitas coisas: da solidão; do desamor; do desafeto; da violência; da indiferença e das perdas das pessoas que amo.

Não gosto de pessoas submissas, que vendem barato o que não tem preço, não gosto de gente morna, omissa, covarde, que fala apenas pelas costas; não gosto de gente que bate com GRITOS. E que não tem a capacidade de se colocar no lugar do outro.

Gosto de pessoas HUMILDES, simples de coração, feito minha Tia Guinha (minha segunda mãe); minha mãe, meu filho ( que é meu pai e meu irmão mais velho de tanta sabedoria que carrega). Cuja sabedoria não vem da escola, mas da vida. Gosto de gente que não mistura as coisas e desconta no outro sua ira. Gosto de gente que sorri com os olhos; de gente bem humorada, cujas mazelas da vida lhe tiraram quase tudo, menos a alegria de viver!

Sofro de INGENUIDADE CRÔNICA. Parto do princípio de que todo mundo é naturalmente bom... e que, com o tempo, infelizmente, vou reconhecendo que não é bem assim; mas, avisei, é um mal crônico.

Gosto de chorar quando tenho vontade: choro de dor (física espiritual), de saudade, de tristeza, de decepção. Confesso que isso acelera meu bem estar, é como um ritual de purificação... Adoro rir. Tenho riso fácil. Rio das minhas próprias intempéries; gosto de gargalhar quando não dá pra segurar... E de chorar de alegria: uma das sensações mais gratificantes que conheço.

Enfim, não foi nada fácil “dizer tudo isso”. Virei-me literalmente do avesso e, para aqueles que me acham uma chata, um beijo e um queijo. Para aqueles que me conhecem há algum tempo, sabem que sou EXATAMENTE assim. Está escrito nos meus olhos.
Para aqueles que ainda não me conhecem: “Prazer, Mari.”


(Outono, Madrugada de segunda –feira, 17/06/2013)

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♥♥♥ Ao meu paizinho amado ♥♥♥

Trecho do filme: "Do outro lado da nobreza"

Trecho do filme: "Do outro lado da nobreza"
“Cuidaremos um do outro (...). No Reino do Mar há um vale onde são guardadas as coisas perdidas da terra: reinos perdidos; posses perdidas; horas perdidas e amores perdidos. As pessoas vão até lá procurando atos e dias perdidos e ficam surpresas por encontrarem um pouco de juízo perdido, simplesmente, porque nunca deram por falta dele.”