Por Mari Monteiro
Saio e entro em mim para te ver no meu corpo
Para ver se, de longe,
Deste retrato antigo
Você ouve o chamado de cada um dos meus póros
Na minha pele, impressões róseas
Suas digitais, em mim, ainda ardem
Nas minhas mãos, suas veias pulsam
Num desejo intravenoso
Meus cabelos, desalinhados ,
Guardam o caminho feito por suas mãos
Na minha boca, seu gosto
Que agora é meu
Ainda olho para o retrato
Este retrato antigo
De tanto olhar
Ficou um tanto de você na minha íris
Um caleidoscópio indecifrável
Neste retrato antigo
Que é bem mais seu do que meu.

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